Cerveja austríaca. Lager forte.
Bem forte!
Segundo a fabricante, essa cerveja é produzida uma única vez por ano, no dia 6 de dezembro, dia de São Nicolau (o próprio rótulo diz: "La bière du Père Noel"), passando por um processo de envelhecimento por dez meses antes de ser envazada.
Experimentei a "safra de 2011", cujo processo de fabricação deve ter se iniciado ano passado (2010).
Ao servir a cerveja, a primeira característica notada é que ela não forma o famoso "colarinho". Na verdade, é uma cerveja com pouquíssima concentração de gás.
No entanto, apesar do pouco gás, trata-se de uma cerveja "robusta", encorpada e cremosa, ainda que bem filtrada.
No copo, percebemos que a cerveja é bastante filtrada por sua coloração. É uma cerveja de tom escuro forte e bastante avermelhada, mas também bastante cristalina.
Tem um aroma bem forte, de doce torrado, como "calda de pudim".
Ao primeiro gole, a característica mais marcante de seu paladar é o tom adocicado, forte, como de caramelo. Por ser bastante densa, chega a ser quase licorosa.
Tem o teor alcólico bem forte também, de 14%, o que é bastante alto para uma lager (a Samichlaus Bier foi a lager com o maior teor alcólico que eu já tomei até hoje).
Aliás, não apenas o teor alcólico de 14% é alto para uma lager, mas também o período de envelhecimento de 10 meses, sendo que ambos devem ocorrer por conta da época e do local em que a cerveja é produzida.
Esse alto teor alcólico, inclusive, é o que não deixa o adocicado da cerveja se confundir com o adocicado do estilo Malzbier.
O teor alcólico destaca-se, também, no paladar. Junto com as notas adocicadas, o teor alcólico é uma característica que chama a atenção no sabor da cerveja, tendo um toque quase seco no final.
Aliás, o paladar, no final, traz notas muito interessantes. A cerveja tem um tom amadeirado, com um amargo torrado levemente picante.
Por ser adocicada e forte, pode ser um pouco enjoativa.
Só a encontrei em garrafas longneck de 330ml, o que é mais que suficiente para uma pessoa.
Acompanha bem doces, podendo ser servida sozinha ao final da refeição, como digestitivo.
Achei a cerveja muito adocicada no começo, sendo que o doce da cerveja se sobrepõe às demais notas, encobrindo boas características, como o amadeirado e o picante.
É uma cerveja feita para se tomar devagar, em goles lentos, e não muito gelada, sendo boa para o fim a que se propõe.
De zero a dez, nota 7 para a cerveja.
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domingo, 6 de novembro de 2011
Samichlaus Bier 2011
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sábado, 10 de outubro de 2009
Sierra Nevada Pale Ale
Apesar de ser uma cerveja razoavelmente famosa pelos Estados Unidos, confesso que não conhecia essa cerveja ainda.
Experimentei a Sierra Nevada Pale Ale não faz muito tempo (eu até havia feito algumas notas sobre essa cerveja, e só não havia escrito nada a respeito dela ainda por... hmm... desleixo?), na minha última visita aos Estados Unidos, num pub do lado do hotel que fiquei em Nova Iorque.
Escolhi por exclusão, procurava alguma cerveja que batesse com o meu gosto pelas ales inglesas, mas queria também experimentar alguma cerveja nova, e apesar de ser uma cerveja americana (Californiana, para ser mais exato), foi a que eu acabei pedindo. Tomei em chopp, não em garrafa (aliás, breve adendo: o pint americano é bem menor que o pint britânico, então não espere aquele tomar aquele monte de cerveja nos Estados Unidos se você estiver acostumado com o segundo tipo de pint).
E confesso que não me arrependi. Não bateu exatamente com o meu gosto (na verdade, eu procurava por uma cerveja bem diferente da Sierra Nevada), mas foi uma surpresa bastante agradável, e é uma cerveja que eu com certeza voltaria a tomar se a encontrasse novamente.
Possui o corpo bastante feminino, levemente adocicada, com notas de amargor bem leves no final do gole. Apesar do teor alcólico ser um pouco superior ao de uma light lager comum (o teor alcólico da Sierra Nevada é de 5,6%), ainda assim é uma cerveja leve e suave.
Não é uma cerveja de aroma forte, quase não possui bouquet, mas um olfato mais atento é capaz de perceber um aroma levemente floral, quase imperceptível. De toda sorte, tem o aroma muito fraco, de forma que não possui bouquet digno de qualquer avaliação.
É uma cerveja bem filtrada também (o que não é necessariamente uma característica positiva), o que talvez faça com que ela se torne tão leve. Essa característica, somada ao fato de ser uma cerveja com gaseificação bastante elevada, faz com que ela lembre levemente uma cerveja lager, apesar de ser uma pale ale.
A coloração é levemente avermelhada, mas de tom bem fraco, provavelmente em razão da forte filtragem.
Em razão da gaseificação elevada, por ser uma cerveja bem filtrada, pela coloração e ausência de aroma, suspeito que não seja uma cerveja 100% malte, mas admito que não é uma cerveja em que se perceba a presença de agentes de fermentação em seu paladar.
Aliás, o paladar da cerveja é muito bom. A Sierra Nevada não possui apenas agentes de fermentação, mas é bastante rica em agentes de sabor também. É uma cerveja que agrada o paladar sem chamar atenção. Cítrica, com acidez elevada, mas não além do limite ideal, levemente adocicada, com notas apimentadas e um aroma bem suave que quase chega em notas florais. Não consegui identificar o que a torna cítrica, já que não é adocicada o suficiente para ser laranja ou bergamota (definitivamente, não é laranja ou bergamota).
Não posso dizer ao certo, mas acredito ter notas de canela, pinho, e limão. Em conversas de bar, alguns moradores locais me disseram que não é limão, mas grapefruit. Eu, no entanto, nunca tomei cerveja com grapefruit (essa, aliás, é uma fruta que não gosto muito), e os locais com quem eu conversei eram de Nova Iorque, e não da Califórnia, de forma que eu ainda acredito ser limão, e não grapefruit.
É uma cerveja bem distinta, de destaque.
De zero a dez, nota 6,5 para a cerveja.
Experimentei a Sierra Nevada Pale Ale não faz muito tempo (eu até havia feito algumas notas sobre essa cerveja, e só não havia escrito nada a respeito dela ainda por... hmm... desleixo?), na minha última visita aos Estados Unidos, num pub do lado do hotel que fiquei em Nova Iorque.
Escolhi por exclusão, procurava alguma cerveja que batesse com o meu gosto pelas ales inglesas, mas queria também experimentar alguma cerveja nova, e apesar de ser uma cerveja americana (Californiana, para ser mais exato), foi a que eu acabei pedindo. Tomei em chopp, não em garrafa (aliás, breve adendo: o pint americano é bem menor que o pint britânico, então não espere aquele tomar aquele monte de cerveja nos Estados Unidos se você estiver acostumado com o segundo tipo de pint).
E confesso que não me arrependi. Não bateu exatamente com o meu gosto (na verdade, eu procurava por uma cerveja bem diferente da Sierra Nevada), mas foi uma surpresa bastante agradável, e é uma cerveja que eu com certeza voltaria a tomar se a encontrasse novamente.
Possui o corpo bastante feminino, levemente adocicada, com notas de amargor bem leves no final do gole. Apesar do teor alcólico ser um pouco superior ao de uma light lager comum (o teor alcólico da Sierra Nevada é de 5,6%), ainda assim é uma cerveja leve e suave.
Não é uma cerveja de aroma forte, quase não possui bouquet, mas um olfato mais atento é capaz de perceber um aroma levemente floral, quase imperceptível. De toda sorte, tem o aroma muito fraco, de forma que não possui bouquet digno de qualquer avaliação.
É uma cerveja bem filtrada também (o que não é necessariamente uma característica positiva), o que talvez faça com que ela se torne tão leve. Essa característica, somada ao fato de ser uma cerveja com gaseificação bastante elevada, faz com que ela lembre levemente uma cerveja lager, apesar de ser uma pale ale.
A coloração é levemente avermelhada, mas de tom bem fraco, provavelmente em razão da forte filtragem.
Em razão da gaseificação elevada, por ser uma cerveja bem filtrada, pela coloração e ausência de aroma, suspeito que não seja uma cerveja 100% malte, mas admito que não é uma cerveja em que se perceba a presença de agentes de fermentação em seu paladar.
Aliás, o paladar da cerveja é muito bom. A Sierra Nevada não possui apenas agentes de fermentação, mas é bastante rica em agentes de sabor também. É uma cerveja que agrada o paladar sem chamar atenção. Cítrica, com acidez elevada, mas não além do limite ideal, levemente adocicada, com notas apimentadas e um aroma bem suave que quase chega em notas florais. Não consegui identificar o que a torna cítrica, já que não é adocicada o suficiente para ser laranja ou bergamota (definitivamente, não é laranja ou bergamota).
Não posso dizer ao certo, mas acredito ter notas de canela, pinho, e limão. Em conversas de bar, alguns moradores locais me disseram que não é limão, mas grapefruit. Eu, no entanto, nunca tomei cerveja com grapefruit (essa, aliás, é uma fruta que não gosto muito), e os locais com quem eu conversei eram de Nova Iorque, e não da Califórnia, de forma que eu ainda acredito ser limão, e não grapefruit.
É uma cerveja bem distinta, de destaque.
De zero a dez, nota 6,5 para a cerveja.
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terça-feira, 8 de julho de 2008
A pedidos, uma crônica...
Eu gosto da surpresa. O poder transformador de sensações que a falta de expectativa cria é simplesmente fantástico.
E foda-se a atitude politicamente correta, mas eu vou contar, admitindo toda a minha falta de nobreza, sobre como eu cheguei (ou voltei) à essa conclusão.
Agora há pouco eu fui comprar cigarros numa loja de conveniência aqui perto de casa. É prático, é perto, é conveniente. E aproveitei a deixa pra comprar uma cerveja (sim, no meio da semana).
Sou do tipo que não gosta muito de arriscar aqui nessa ilha de merda quando o assunto é cerveja. Não que eu seja convervador, pelo contrário, mas é porque japas entendem tanto de cerveja quanto entendem de depilação (é cada floresta negra andando de bike e mini saia por aqui que dá até medo).
Mas eis que, dessa vez, sei lá o que me ocorreu, eu resolvi deixar a tradicional Yebisu de lado (uma das poucas cervejas que atinge o meu paladar mínimo pra cevada) e arriscar uma outra chamada "Premium - Rich Taste" (sim, eles também entendem o mesmo tanto sobre batismos). A garrafinha de vidro charmosa me atraiu, acho.
E eu a comprei. Sem expectativas. Sem esperar nada além de, no máximo, uma cerveja 100% malte. Saí da loja, acendi meu cigarro recém adquirido, montei na bicicleta e abri a garrafa. E o primeiro gole foi sensacional!
Eu estava com o player da mulher, e por acaso ouvi o combo Golden Slumbers e Carry That Weight dos Beatles. E andar de bike, com a brisa da noite virginal de um dia de verão no rosto, ouvindo um som sensacional dos Beatles e tomando uma cerveja ale (sim, era ale!!!), 100% malte, com corpo feminino sensual e adocicado, notas de amargor no ponto certo, grãos levemente torrados (na medida que eu gosto). Puta merda!... Se eu fosse crente, eu teria visto Deus!
Não foi nada demais. É apenas o tipo de cerveja que me agrada, nada além disso. Uma receita simples bem feita, seguida bem à risca. Mas era algo que eu não esperava, e isso fez com que ela se tornasse uma das melhores cervejas que eu tomo em tempos (ainda que, há menos de quatro dias, eu tenha bebido uma cerveja muito superior em sabor e qualidade). Até deixei o cigarro, que foi o que me levou à loja de convenicência, para o vento fumar.
Todo mundo já deve ter experimentado algo assim. Embarcar numa aventura diferente apenas por embarcar. Nada de curiosidade, nada de recomendações fantásticas, nada de críticas de especialistas dizendo sobre como isso ou aquilo deve se comportar. E é aí que mora o segredo da surpresa: você não a espera. Ela simplesmente acontece!
Não estou falando em comportamentos radicais, em jovens querendo berrar "ei, eu sou um punk!". Isso é premeditado. Não mora a ausência de expectativa nisso. Estou falando em como aquela menina que estudou o tempo todo com você, mas que só hoje, anos depois de se conhecerem, de repente te agarra e passa a te cativar mais e mais, e um dia, quiçá, vai se casar com você e se tornar a mulher da sua vida.
Você não espera pelas pequenas coisas. Elas simplesmente acontecem. E se tornam os maiores milagres da vida.
E foda-se a atitude politicamente correta, mas eu vou contar, admitindo toda a minha falta de nobreza, sobre como eu cheguei (ou voltei) à essa conclusão.
Agora há pouco eu fui comprar cigarros numa loja de conveniência aqui perto de casa. É prático, é perto, é conveniente. E aproveitei a deixa pra comprar uma cerveja (sim, no meio da semana).
Sou do tipo que não gosta muito de arriscar aqui nessa ilha de merda quando o assunto é cerveja. Não que eu seja convervador, pelo contrário, mas é porque japas entendem tanto de cerveja quanto entendem de depilação (é cada floresta negra andando de bike e mini saia por aqui que dá até medo).
Mas eis que, dessa vez, sei lá o que me ocorreu, eu resolvi deixar a tradicional Yebisu de lado (uma das poucas cervejas que atinge o meu paladar mínimo pra cevada) e arriscar uma outra chamada "Premium - Rich Taste" (sim, eles também entendem o mesmo tanto sobre batismos). A garrafinha de vidro charmosa me atraiu, acho.
E eu a comprei. Sem expectativas. Sem esperar nada além de, no máximo, uma cerveja 100% malte. Saí da loja, acendi meu cigarro recém adquirido, montei na bicicleta e abri a garrafa. E o primeiro gole foi sensacional!
Eu estava com o player da mulher, e por acaso ouvi o combo Golden Slumbers e Carry That Weight dos Beatles. E andar de bike, com a brisa da noite virginal de um dia de verão no rosto, ouvindo um som sensacional dos Beatles e tomando uma cerveja ale (sim, era ale!!!), 100% malte, com corpo feminino sensual e adocicado, notas de amargor no ponto certo, grãos levemente torrados (na medida que eu gosto). Puta merda!... Se eu fosse crente, eu teria visto Deus!
Não foi nada demais. É apenas o tipo de cerveja que me agrada, nada além disso. Uma receita simples bem feita, seguida bem à risca. Mas era algo que eu não esperava, e isso fez com que ela se tornasse uma das melhores cervejas que eu tomo em tempos (ainda que, há menos de quatro dias, eu tenha bebido uma cerveja muito superior em sabor e qualidade). Até deixei o cigarro, que foi o que me levou à loja de convenicência, para o vento fumar.
Todo mundo já deve ter experimentado algo assim. Embarcar numa aventura diferente apenas por embarcar. Nada de curiosidade, nada de recomendações fantásticas, nada de críticas de especialistas dizendo sobre como isso ou aquilo deve se comportar. E é aí que mora o segredo da surpresa: você não a espera. Ela simplesmente acontece!
Não estou falando em comportamentos radicais, em jovens querendo berrar "ei, eu sou um punk!". Isso é premeditado. Não mora a ausência de expectativa nisso. Estou falando em como aquela menina que estudou o tempo todo com você, mas que só hoje, anos depois de se conhecerem, de repente te agarra e passa a te cativar mais e mais, e um dia, quiçá, vai se casar com você e se tornar a mulher da sua vida.
Você não espera pelas pequenas coisas. Elas simplesmente acontecem. E se tornam os maiores milagres da vida.
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